Adeptos da macrofilia recorrem à realidade virtual para realizar o seu fetiche

Em tempos idos, os gigantes aterrorizaram comunidades inteiras mas, hoje, não só há quem tenha fantasias sexuais com eles como quem já recorra às novas tecnologias para as realizar. Sobretudo homens...

Gostava de ter sexo com um gigante? Se a sua resposta é afirmativa, saiba que sofre de macrofilia, o aportuguesamento da palavra anglo-saxónica macrophilia, ainda inexistente no dicionário nacional. Um fetiche maioritariamente associado aos homens, que sonham sentir-se pequenos ao pé de mulheres sedutoras e elegantes, de dimensões enormes. Apesar de não existirem estudos quantitativos quanto ao fenómeno, muitos especialistas internacionais garantem que existe.

Alguns deles, em declarações públicas, afirmam mesmo que muitos indivíduos do sexo masculino estão a recorrer à internet e às novas tecnologias de realidade virtual para satisfazer as suas fantasias. A maioria imagina-se em situações em que as mulheres têm o tamanho do gorila King Kong, a mítica personagem que se tornou popular no cinema a partir de 1933. «Fascina-me a sensação de perigo que um encontro sexual destes teria», referiu Mark ao site Broadly.

«Enquanto ser superior que ela seria, não teria qualquer compaixão em relação a mim e isso excita-me. Agrada-me a ideia de poder ser o brinquedo sexual dela e de poder satisfazer as suas necessidades sexuais», acrescenta ainda o entrevistado que, para manter o anonimato, prefere não revelar o último nome. Os poucos investigadores que já se debruçaram sobre o assunto asseguram que o que move estas pessoas é a necessidade de se sentirem dominadas numa situação de clara vulnerabilidade.

Uma parafilia que não para de aumentar

Para concretizarem esta fantasia, muitas pessoas recorrem a programas digitais de edição de vídeo e de tratamento de imagens, como o Photoshop, para partilharem criações em que as mulheres surgem sobredimensionadas. «Algumas das pessoas adeptas da macrofilia só se conseguem envolver, na vida real, com pessoas mais altas e/ou mais gordas e volumosas do que elas», assegura Mark Griffiths, especialista britânico que integra a International Gaming Research Unit.

«Uma das razões para que esta parafilia [padrão de comportamento sexual em que a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula mas, sim, noutra atividade] se tivesse massificado na última década prende-se precisamente com a internet, que a criou e popularizou», acrescenta o responsável do departamento da Nottingham Trent University que investiga comportamentos aditivos relacionados com a prática de jogos virtuais.

A culpa da internet

Em tempos idos, a propagação seria menor. «Como esta parafilia vive praticamente apenas de uma fantasia que é criada, muito do material usado para a gratificação sexual dos adeptos da macrofilia é publicado e gerido através da internet», acrescenta ainda. Nos fóruns de discussão de fetiches que se podem encontrar online, muitos homens assumem estar (muito) expectantes quanto à utilização da realidade virtual para realizar alguns deles.

Apesar dos dispositivos tecnológicos de realidade virtual estarem ainda numa fase muito embrionária, já há quem os espere (quase) desesperadamente. «Pode ser o próximo passo para vivermos o nosso fetiche ao limite», escreve mesmo um cibernauta que frequenta regularmente um desses fóruns. «As possibilidades são ilimitadas. Eu acho que não iria aguentar ter, de repente, um gigante à frente. Passava-me», desabafa outro.

Texto: Luis Batista Gonçalves com Edgar Antunes (montagem)

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