Os preconceitos mais absurdos sobre as relações abertas

É possível ser casado e ter uma relação aberta sem ser um tarado sexual ou um egoísta de primeira. De forma a desfazer alguns dos mitos (e preconceitos) que ainda persistem em torno deste modelo relacional, o site Huffington Post esteve à conversa com pessoas que optaram por este tipo de envolvimento nas suas vidas.

Mito 1: O casal não leva o casamento a sério

De acordo com Gracie X, autora do livro Wide Open, um dos mitos mais recorrentes sobre este tema é que o casal, ao manter outras relações extra-conjugais, não está focado e empenhado no casamento. “Isto não podia estar mais longe da verdade. Eu dedico-me e sou leal ao meu marido a 100%. É por isto que sou a favor da não-monogamia consensual – no longo prazo sei que isto vai aumentar a nossa ligação.”

Mito 2: A relação deve estar pelas ruas da amargura

Se é daquelas pessoas que acha que todos os casais que adoptam este tipo de relação estão infelizes ou insatisfeitos, então veja o que o comediante Richie Cohen tem a dizer a esse respeito. “Isto só quer dizer que ambos são pessoas sexuais e que desejam mais variedade. Pode tornar-se bastante monótono comer a mesma comida noite após noite, ano após ano. Desta forma, aprendemos a apreciar essa refeição de outra forma.”

Mito 3: A relação aberta é sempre proposta pelo homem

Num livro sobre o tema, Jenny Block refere que é errado pensar que este modelo relacional é, em grande parte, sugerido pelo sexo masculino uma vez que as mulheres – à semelhança dos homens - também têm desejos e fantasias sexuais. “As relações abertas não têm nada que ver com o género mas sim como o tipo de relação desejado. Não fique surpreendido se num dia for monógamo e no dia seguinte desejar propor uma relação aberta à pessoa que está ao seu lado.”

Mito 4: Os casais com relações abertas não querem saber dos sentimentos do parceiro

Este é outos dos mitos mais comuns relacionados com este tema e que devem ser postos em pratos limpos de uma vez por todas. “Estar numa relação aberta e ser polígamo requer uma grande consideração e consciência relativamente aos sentimentos e bem estar daqueles que o rodeiam. Da minha experiência, as relações mais bem sucedidas são aquelas que discutem e fazem tudo com o consentimento e conhecimento dos parceiros”, explica o escritor Grant Stoddard.

Mito 5: Só as pessoas egoístas e imaturas é que querem este tipo de relação

Se está convencido que as pessoas que optam por relações abertas não amam o parceiro, não têm maturidade emocional e só se preocupam com elas próprias, dizemos-lhes que está redondamente enganado. “Os casais não monógamos que, mutuamente, têm interesse neste modelo relacional desfrutam do melhor de dois mundo e de algo com que muitos monógamos secretamente fantasiam: a segurança e amor do casamento combinado com a aventura e erotismo da variedade. Eu falhei, mas há muitas pessoas que são bem-sucedidas”, confessa a editora da revista online Together, Robin Rinaldi.

Mito 6: O casal tem um problema de adição sexual

“Eu não faço sexo com todos os homens que conheço. Não quero roubar os vossos maridos. E nem quero fazer sexo com eles”, começa por referir a dupla Gwen & Lark num artigo redigido para o site Your Tango. “Não tenho relações sexuais na mercearia ou durante o treino de futebol nem trago homens desconhecidos para dentro de casa.”

Mito 7: As pessoas que optam por relações abertas são todas iguais

Quem acredita nisto também se esqueceu do velho dizer popular de que ‘Não há duas pessoas iguais’. “Uma das ideias erradas é que as pessoas que não são monógamas são todas iguais e conduzem as suas relações de maneira idêntica. Da mesma maneira que as pessoas  que não são cristãs praticam uma série de religiões, as pessoas que evitam a monogamia fazem-no de várias formas”, explica o escritor Stoddart.

Mito 8: Quando se inicia uma relação aberta é impossível voltar atrás

Para a escritora Jenny Block, é possível manter um relacionamento aberto e, de um dia para o outro, querer voltar a ser monógamo. “É preciso que as pessoas tenham consciência que a transição de relação aberta para fechada nem sempre é fácil, e que ambos os parceiros têm de concordar com a mudança ao mesmo tempo, o que pode ser traiçoeiro. A comunicação é a única forma de fazer com que as coisas resultem.”

Comentários