Depressão e sexo

O impacto da doença na diminuição do desejo e no afastamento do casal

A depressão é uma doença muito mais comum do que à partida se poderia pensar, afetando uma em cada cinco pessoas ao longo da sua vida.

Portugal é o país da Europa com maior taxa de doentes com depressão e, apesar de ser um dos países com maior consumo de antidepressivos, aproximadamente um terço das pessoas com perturbações mentais continua sem tratamento.

A depressão caracteriza-se por sentimentos de cansaço, falta de esperança, baixa auto-estima, insónia e dor física. As consequências da depressão podem evidenciar-se em vários campos, nomeadamente na vida pessoal, sexual e profissional. A falta de tratamento desta doença pode ter consequências graves e levar em última instância ao suicídio.

Relação entre os problemas sexuais e a depressão

Ao afetar vários aspetos da vida quotidiana, a depressão também afeta a vida amorosa e a vida sexual. A sensação de não conseguir levar uma rotina normal, causa muitas vezes o distanciamento entre parceiros, levando a pessoa com depressão a sentir-se pouco desejada ou amada.

Estudos demonstram que duas em cada três pessoas afectadas pela depressão perdem o interesse pelo sexo, sendo este um resultado de desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser acompanhados por falta de energia, ganho de peso de perturbações do sono.

Por outro lado, a falta de desejo sexual pode ser uma consequência de tratamentos antidepressivos, pelo que é importante avaliar o impacto destes medicamentos na vida sexual de cada paciente, de forma a proceder a alterações na terapêutica, se for caso disso.

As principais consequências da depressão na vida sexual incluem:

- Nos homens, a falta de motivação e o cansaço podem ser associados à falta de libido e a problemas de ereção.

- Nas mulheres, a falta de actividade cerebral tende a ser associada ao baixo interesse pelo sexo e muito frequentemente à dificuldade em atingir o orgasmo.

O cérebro é um órgão altamente sensível, sendo neste órgão que a estimulação sexual começa. A depressão influencia os neurotransmissores responsáveis pelo desejo sexual, causando desequilíbrios na resposta ao estímulo sexual.

Como se podem tratar os problemas sexuais e a depressão?

Tratar a depressão é sempre o primeiro passo, uma vez que à medida que esta condição é curada, o desejo sexual é recuperado. Existem formas de contornar os efeitos secundários dos medicamentos antidepressivos na sua vida sexual, sem comprometer o tratamento. Discutir este assunto com o seu médico é fundamental, uma vida sexual saudável é importante para o bem-estar pessoal e pode ajudar a encarar a depressão de forma mais positiva.

A maioria das pessoas com depressão pode notar melhorias quando adopta uma rotina de exercício físico, tal como desporto ou dança, pelo que se a falta de vontade sexual, não lhe permite uma vida sexual normal, comece por outras actividades com o(a) sua/seu parceiro(a), de forma a manter uma relação próxima entre o casal. A depressão ou o seu tratamento podem não ser, no entanto, a única causa dos seus problemas sexuais.

Outros problemas de saúde como a diabetes, a esclerose múltipla e a tensão arterial, podem influenciar a sua vida sexual. O tratamento com anti-epiléticos, anti-hipertensores ou antidislipidémicos, também pode causar perturbações, bem como o consumo de álcool, canábis, opiáceos e anfetaminas. Falar abertamente com o(a) seu/sua parceiro(a) e o seu médico sobre os seus problemas sexuais é o principal passo para a sua resolução e para uma vida sexual saudável.

Texto: Clínica 121doc

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