Afinal qual é o sexo (mais) forte?

A eterna discussão sobre as diferenças de género que condicionam as relações entre o casal

Não há como nega-lo. Homens e mulheres são diferentes e nem sempre é fácil lidar com essa diferença. O que a ciência já descobriu sobre as diferenças entre homens e mulheres também explica essa clivagem e pode até ser usado em prol da nossa longevidade.

Quase todos nós já ouvimos que «os homens são de Marte e as mulheres de Vénus», frase da autoria de John Gray, psicoterapeuta e autor de inúmeros livros sobre as diferenças e o relacionamento entre ambos os sexos. Mas as diferenças não se limitam ao comportamento e a ciência tem-se empenhado em descobrir as dissemelhanças entre a biologia do homem e da mulher para, com isso, ajudá- los a compreenderem melhor as reações do seu corpo, defenderem- se das doenças e, sobretudo, sentirem- se melhor na sua pele.

A Saber Viver foi pesquisar junto do mais conceituado especialista e organizações e que se dedicam ao estudo da medicina de género e reúne as descobertas mais úteis e surpreendentes. Afinal será que a mulher é que é efetivamente o sexo mais fraco?

Compreender as diferenças

Até recentemente, a investigação médica focava-se no sexo masculino, no homem como espécie. E depreendia-se que aquilo que era apurado ou concluído se podia generalizar ao sexo feminino.

A medicina de género é, então, uma ciência relativamente nova e Marianne J. Legato, cardiologista, uma das maiores especialistas mundiais neste campo e fundadora, em 1997, da Partnership for Gender-Specific Medicine at Columbia University, acredita que todos os profissionais de saúde devem estar a par dos princípios fundamentais da medicina de género.

Estando conscientes das diferenças entre o sexo feminino e masculino em termos dos vários sistemas do corpo, poderão tê-las em conta na sua prática clínica, tanto na prevenção como no tratamento. Dispondo desta (nova) informação, psicólogos, psiquiatras e especialistas em terapia de casal podem também orientar os casais que os procuram, ajudando-os a superar dificuldades conjugais.

Distintos desde a nascença

Atualmente sabe-se que, em média, as mulheres vivem mais sete anos do que os homens. Entre os 20 e os 24 anos, morrem três vezes mais homens do que mulheres. Os homens têm o dobro da probabilidade de morrerem antes dos 65 anos do que as mulheres.

No livro «Porque é que os homens morrem primeiro?» (Caleidoscópio), da autoria de Marianne J. Legato, a cardiologista refere que a investigação científica tem demonstrado que, desde a conceção, os homens têm menos probabilidade de sobreviver do que as mulheres. Os bebés do sexo masculino têm um sistema imunitário mais frágil e uma propensão elevada a sofrerem infeções ainda no útero.

George Lazarus, pediatra americano e especialista em medicina de género, descreveu, num artigo, uma situação curiosa (e preocupante). A perturbação de défice de atenção (PDA) é subdiagnosticada nas raparigas, acontecendo o oposto em relação aos rapazes. E porquê? Quando estes apresentam esta perturbação, tendem a ficar hiperativos e difíceis de controlar.

Já as raparigas, que desde sempre foram socializadas para serem mais bem comportadas e sossegadas, tendem a acentuar este comportamento. Estas diferenças acabam, depois, por repercutir-se nas atitudes gerais dos indivíduos face às adversidades com que são confrontados.

Texto: Teresa D'Ornellas

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