A química do amor e do sexo

Como as hormonas e os fenómenos moleculares afetam a paixão e o romance

Esqueça as rosas, os diamentes, a lingerie sexy e o champanhe. Afinal, o amor não passa de uma explosão de hormonas e fenómenos moleculares.

«Olhei para ela e senti logo que havia qualquer coisa bem forte. Estávamos num aniversário de um amigo em comum, nunca nos tínhamos cruzado antes. Por coincidência, ficámos juntos na mesma mesa e, no final da noite, ganhei coragem e pedi-lhe o número de telefone».

Pedro e Inês [nomes fictícios] não se largam desde esse dia, há cinco meses. Quantas vezes ouviu estas histórias tiradas de um autêntico filme de amor e se perguntou porque acontece aos outros e não a mim? A questão que se impõe é se, afinal, existe ou não amor à primeira vista? E o que o provoca? Porque acontece a uns e não a outros? Se tem uma visão mais romântica, prepare-se para quebrar todas as leis do amor e conheça o maravilhoso mundo encantado da ciência que trata a paixão sem dó nem piedade. Sem flores nem diamantes.

Tudo passa por uma equação química, que de romântica pouco tem. De acordo com Madalena Pinto, professora catedrática na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, «pensa-se que a feniletilmina seja a responsável pelo amor à primeira vista, podendo ser considerada como um cupido químico», explica na sua obra «Química do Amor e do Sexo», publicado pela editora Lidel.

Tudo começa, imagine-se, graças a um simples fenómeno que acontece no nosso corpo, de forma a acelerar o fluxo de informação entre dois neurónios, provocando um aumento de dopamina [substância química neurotransmissora com função estimulante do sistema nervoso]. É esta substância, também usada na composição do chocolate, que nos provoca aquela sensação de paixão.

Aquele sentimento que invejamos e nostalgicamente nos lembramos de sentir no início das relações. E é por isso mesmo, por causa da feniletilmina, que o melhor remédio para curar um desgosto de amor é, mais do que rosas, mimos e beijo, uma caixa de bombons. Percebe agora porque sobe às nuvens, esquece os problemas e volta a sorrir quando se delicia com um quadrado de chocolate? Pedro e Inês são uns felizardos, atingidos pela maravilhosa feniletilmina…

Mas não são caso único, felizmente. Mariana e Paulo, juntos há 12 anos, com duas filhas gémeas de três anos, continuam «muito felizes» debaixo dos lençóis. Afinal, isto é química. A química do amor. E é por isso que, segundo Vânia Beliz, sexóloga, «há muitos casos de casais que gostam muito um do outro mas não se entendem na cama». A origem da química do amor não é clara e ainda levanta muitas dúvidas, contudo, uma coisa é certa. A química existe!

E quando a química desaparece?

Na vida, contudo, nem tudo são rosas. «Não é muito fácil superar a perda do desejo e da vontade de estar com aquela pessoa de quem tanto gostamos, mas há muitos fatores que influenciam tal acontecimento. O desencanto no aspeto físico, o cheiro, alguma questão emocional, por exemplo, a alteração dos papeis da mulher que passa a ser vista como a mãe dos filhos e não como mulher desejada sexualmente», esclarece Vânia Beliz.

«Existem casais que conseguem manter-se juntos a vida toda mesmo sem a parte sexual, sem essa química. Depende da importância que cada um dá ao sexo», sublinha, contudo. Ainda no caso de Mariana e Paulo, os dois explicam a importância desta química na sua relação. «É realmente muito importante e facilita muito. É verdade que a química não é a mesma do início, mas a vida sexual é mais satisfatória», consideram.

«O sexo é menos frequente, não enlouquecemos com um toque ou uma expressão, como há 12 anos, mas conhecemo-nos melhor a nível sexual e isso melhora bastante a nossa relação. Acho que no início a paixão (verdadeira) traz uma cumplicidade fulcral para uma boa vida sexual após 12 anos», acrescentam ainda. Mariana não deixa, assim, margem para dúvidas. A química existe, sim!

«Acho que na verdadeira paixão tem que haver química», defende. Nem todos, porém, têm essa sorte. E, se a química não lhe bateu à porta, esqueça! «Quando não há atração, não há química e temos sentimentos muito aborrecidos por essa pessoa, nem conseguimos que nos toquem. Não existe nada que nos faça apaixonar. Química existe logo ou não existe», assegura a sexóloga.

Quem já viveu diferentes tipos de relacionamentos tende a ser da mesma opinião. «Já tive uma relação de quatro anos sem qualquer química, muito calma, com muita amizade. Ficou por isso mesmo… Com o meu marido a química ajudou-me a perceber que iríamos mais longe e cá estamos, juntos há 12 anos, e com duas filhas», confessa Mariana.

A importância da imagem Se não foi atingida pelo cúpido do amor, não desanime. Há esperança, mas passos obrigatórios a seguir. Não ignore, primeiro, a sua aparência, deixando assim a sua felicidade nas mãos de equações químicas. Afinal, a sua imagem é o seu cartão de vista. É aqui que os cosmecêuticos, de acordo com Madalena Pinto, podem dar uma ajuda. Ninguém gosta de sentir borbulhas, especialmente no rosto.

A importância da imagem

Se não foi atingida pelo cúpido do amor, não desanime. Há esperança, mas passos obrigatórios a seguir. Não ignore, primeiro, a sua aparência, deixando assim a sua felicidade nas mãos de equações químicas. Afinal, a sua imagem é o seu cartão de vista. É aqui que os cosmecêuticos, de acordo com Madalena Pinto, podem dar uma ajuda. Ninguém gosta de sentir borbulhas, especialmente no rosto.

Neste capítulo, é importante quebrar o mito. A culpa, afinal, do apagar da chama não é totalmente sua nem do seu companheiro… «Durante este período, as aminas biogénicas vão gradualmente deixando de fluir no cérebro, ou porque o indíviduo adquire tolerância ou porque a relação termina. Como o cérebro não pode funcionar durante muito tempo sob acção de estimulantes, se a relação continuar certamente evoluirá para a fase seguinte, o designado amor verdadeiro», defende Madalena Pinto.

Amor amor, coração á parte

Ao contrário do que escrevem os sábios poetas, o amor não passa pelo coração mas sim pelo cérebro. Hormonas à parte, a atração sexual é causada pela química cerebral ou a neuroquímica. Fenómeno este que pode ser dividido em três fases. «A primeira, corresponde ao início da atracção, ao desencadear da paixão e à vivência do estado de apaixonado», como Madalena Pinto descreve em «Química do Amor e do Sexo».

«Esta primeira fase, a do romance, é variável, podendo ir de meses a alguns anos. Durante este período, as aminas biogénicas (estimulantes responsáveis pelo estado de paixão) vão, gradualmente, deixando de fluir no cérebro e, se a relação continuar, segue-se a fase que todos ambicionamos alcançar, a do amor tranquilo». A terceira fase está «associada ao desejo sexual que pode existir de forma independente ou estar associada às outras duas», refere ainda.

Os homens conquistam-se pelo… nariz!

Se anda a investir em workshops de culinária para prender o seu amado pelo estômago, como dizia a sua avó, pode parar. E não, não invista agora em perfumes caros. Tudo passa por algo que cada um de nós produz naturalmente! Não se compra, nem se vende.

Trata-se de um odor peculiar que pode agradar a uns e ser muito desagradável para outros. E, assim, o velho ditado popular que diz que «os homens conquistam-se pelo coração e prendem-se pelo estômago cai por terra», segundo a teoria exposta por Madalena Pinto em «Química do Amor e do Sexo».

Texto: Teresa de Oliveira Martins com Madalena Pinto (professora na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto) e Vânia Beliz (sexóloga)

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